#4perguntasPara: Josi Guimarães

Formada em design gráfico e marketing, Josi Guimarães abandonou o ~meio corporativo~ e as atividades que bater ponto implica para concentrar toda sua responsabilidade, tempo e dedicação ao que a move e a deixa realizada.

Em meio a lentes e agulhas, hoje, Josi trabalha como fotógrafa registrando momentos lindos das vidas das pessoas como ensaios fotográficos de famílias, crianças, aniversários, casamentos, pequenos eventos ou até fazendo com que aquele seu produto fique ainda mais lindo em imagens publicitárias, tudo Na Minha Lente.

Já quando não está com a câmera na mão, aproveita para fazer uma viagem no tempo para si própria e para quem a segue no @apto1406, habitado por bordados e afins, enquanto compartilha um pouco do quanto aquilo remete à sua avó e infância (uma fofura de Instagram pra seguir e produtinhos pra adquirir!). ♥

Mas, afinal, quando alguém pergunta sobre sua profissão: “é sempre a pergunta que não sabia responder até que um dia surgiu o ‘empreendedora criativa‘ na minha frente! hahaha. Hoje, é assim que me defino!”.

 
entrevista-empreendedorismo-josi-guimaraes-fotografa-na-minha-lente-bordadeira-apto-1406

Josi Guimarães, 35
@josiguimaraes @naminhalentefotos @apto1406
Empreendedora criativa
 

1. Qual foi o seu primeiro projeto?

O primeiro projeto solo da minha vida foi a Iolanda Maria (acessórios em tecido e/ou customizados com bordados e aplicações), tinha 28 anos na época. O nome da marca foi em homenagem à minha avó dona Iolanda Maria, que me ensinou a bordar e que tenho muita relação existencial e diria até espiritual. Antes disso, tive um projeto com uma amiga em 2004 chamado Monotipia onde customizávamos loucamente camisetas básicas com pinturas loucas, bordados e paetês.
 

2. Como surgiu a ideia desse primeiro projeto?

Sempre curti arte e moda. Fui daquelas crianças que gostava de criar coisas, inventava moda para as bonecas e desenhava muito. Acabei me formando em design gráfico e arrumando emprego numa pequena agência de publicidade, mas minha vontade era de sair correndo! Olhava pela janela do escritório e ficava imaginando como seria bom estar do lado de fora e livre para sonhar. Aquela vida de escritório, de cumprir horários, de realizar projetos que não me empolgavam em nada parecia não me pertencer, era sufocante demais! Aproveitei a mudança de atividade da agência e acabei me rendendo a vontade que tinha de ter minha própria marca de acessórios e trabalhar por conta própria.
 

3. Como surgiu o seu projeto atual?

Em 2010, voltei ao mercado de trabalho e para o escritório sufocante. Numa tentativa de encontrar oportunidades melhores e que me empolgassem mais, resolvi fazer faculdade de marketing. No fim de 2011, decidi procurar algo na área da moda porque acreditava que me sentiria mais realizada. Certo dia, acabei me candidatando a uma vaga em marketing de moda, que naquele momento parecia ser o emprego dos meus sonhos, na descrição dizia algo do tipo ‘precisa gostar de moda, arte, gastronomia, viagens’, ‘ter noções de design, mídias sociais e marketing’, pronto! Fiz a entrevista e dias depois a vaga era minha! Na Antix, tive contato com muita coisa bacana, aprendi muito por causa da rotina de trabalho e a consequente convivência com a equipe de criação. Pela primeira vez tive que trabalhar com fotografia, era rotina na minha vida por lá e foi a partir daí que começaram a me questionar “porque você não trabalha com fotografia?”. Mais ou menos três anos depois nasceu o Na Minha Lente, onde realizo ensaios, registro eventos familiares (de aniversários infantis à casamentos) e faço produções fotográficas para empresas pequenas. Ainda estou no começo, mas acredito que encontrei na fotografia a liberdade que eu tanto desejava nos empregos anteriores. Também na fase Antix, um pensamento me tomava o coração, aquele tipo de pensamento que fica cutucando a gente, mas que a gente ainda não tem ideia do que seja. Tinha em mente ter um e-commerce de coisas diferentes pra casa e, desde 2013, essa ideia recebeu o nome de Apto1406. Para mim, toda ideia precisa de um nome para alimentá-la como um filho, guardei. Em 2014, voltou a vontade de bordar e surgiu a ideia de fazer ponto cruz em panos de prato com uma temática mais cool, diferentona, o desafio de transformar algo considerado cafona por muitos em algo incrível. Fui na 25 de Março, comprei material e fiz dois panos de prato dos Beatles pra presentear meu namorado no Natal e a tal ideia parou por aí. Até que ano passado (2015), senti um desejo imenso de bordar, voltar a desenhar, por a minha alma criadora para brincar… Quando meu primeiro quadrinho de bordado ficou pronto, mostrei no grupo da família no Whatsapp com a legenda “aceita-se encomendas” apenas para brincar com a situação e minha prima respondeu “quero dois”. Assim, tirei o Apto1406 da gaveta e coloquei ele na vida.
 

4. Qual foi pelo menos um erro e/ou acerto que merece destaque?

Ouvia muito das pessoas que eu precisava focar numa coisa só! Meu maior erro foi acreditar que elas estavam certas. Vivia no mundo das ideias e precisava focar numa carreira, só com o tempo percebi que ter muita coisa em mente faz parte de mim e buscar realizá-las faz parte da minha felicidade. Eu só precisava me planejar para fazer de tudo um pouco, por isso hoje eu assumo que sou uma empreendedora criativa. Foi aí que comecei a acertar mais do que errar, quando tive consciência plena que não queria mais trabalhar para os outros e ir em busca das minhas ideias. Não sou feliz sabendo que só posso ser uma coisa na vida e morrer com isso. Gosto de poder ter escolhas, ser fotógrafa, designer, bordadeira, quem sabe um dia dona de um e-commerce? Definitivamente, a angústia de ter que assumir uma profissão já não me pertence mais!
 

+ Dose extra de inspiração

A dica que dou para quem quer, acima de uma carreira de sucesso (o que é uma carreira de sucesso, né, minha gente?), ter uma história rica para contar é também o melhor conselho que já recebi na vida: “não espere estar pronto(a) para começar, pois você nunca estará pronto(a)”. A gente sempre acha que está faltando algo para começar ao invés de ir testando e explorando a ideia, o público, o mercado… E uma reflexão que proponho para quem tem dúvidas a respeito do que fazer da vida é: volte ao passado! Busque na infância o que você gostava de fazer, parece idiota mas se você parar para ouvir a história de 10 criativos apaixonados pelo que fazem, pelo menos uns 8 vão te contar que a história começou na infância. A minha começou! rs

 

Josi, MUITO OBRIGADO! ♥

 

E você, se inspirou com a história dela? Tem uma parecida ou conhece alguém que tenha? Conte para mim nos comentários, via e-mail ou pela #4perguntasPara! Quem sabe não aparece por aqui?!

 

Foto: Diego Gaona/Divulgação.

Márcio Talon

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